Aqui está mais um vídeo muito, muito curto (direitos reservados a Rita Colaço). É de Jo Gum Nyo. Uma senhora de 78 anos que vive numa quinta comunitária, nos arredores de Pyongyang.
Aparece aqui acompanhado da reportagem publicada no Jornal de Notícias, a 24 de Setembro.
Ano d.K., depois de Kim Il-Sung
Agosto não é tempo de colheita do milho.
Jo Gum Nyo, 78 anos, está à porta de casa. Aproveita para estender a roupa.
É uma camponesa que vive e trabalha na quinta comunitária de Mangyongdae, nos arredores de Pyongyang. Os campos vivem agora o descanso do pousio e os 1100 trabalhadores desta quinta renovam as habitações.
Jo Gum Nyo inclina a cabeça, em sinal de cumprimento. Estica a mão e convida a entrar em casa. Pede-me para tirar os sapatos. A sala está decorada pelo tempo. O relógio marca 11 horas e 40 minutos da manhã. Na parede, atrás do sofá, estão três calendários. É dia 16 de Agosto do ano 95. Uma espécie de ano d.k., depois de Kim Il-sung. Os norte-coreanos vivem ao ritmo do aniversário do grande líder, nascido há 95 anos. [continua texto após vídeo]
Kim Il-sung morreu há 12 anos, mas é o presidente eterno da República Popular Democrática da Coreia. Chefiou um exército revolucionário contra a ocupação japonesa, de 1910 a 1945. É lembrado como o libertador da pátria. “Graças ao empenho do grande líder Kim Il-sung, agora vivo feliz”, afirma Jo Gum Nyo.
Jo nasceu na Coreia do Sul e foi para a Coreia do Norte aos oito anos. “Vim do sul para o norte porque era pobre lá. Não sei nada da minha família porque vim para cá muito nova. Nem sequer sei quando é que faço anos”, lamenta.
Jo Gum Nyo vive sozinha. Perdeu o marido na guerra das Coreias, entre 1950 a 1953. “Foi morto pelos americanos, sem ter culpa”. Mas a grande mágoa de Jo está na divisão. Antes da guerra, a Coreia era apenas uma, agora são dois Estados para uma nação. “Desejo a reunificação do nosso país, mas por causa dos Estados Unidos da América não podemos estar juntos”, remata.
De acordo com a Cruz Vermelha sul-coreana, a guerra das Coreias separou mais de 750 mil famílias. Pela primeira vez, há 6 anos, o norte abriu as portas a cem idosos do sul, para que pudessem visitar as famílias. O mesmo aconteceu do outro lado, resultado das negociações entre o líder norte-coreano Kim Jong-il (filho de Kim Il-sung) e Kim Dae-Jung, então presidente da Coreia do Sul.
A sul, as famílias foram escolhidas por sorteio. A norte, a selecção seguiu critérios do governo. Jo Gum Nyo ainda não foi seleccionada.